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ENTREVISTA COM DOUGLAS MONDO (setembro de 1999) - Lista ESCRITAS - Poetas de Portugal e do Brasil

Poesia em Português - Portugal - Brasil e Timor-Leste - Poesia Luso-Árabe

Como começou a escrever? Concorda que atrás de um escritor vem um leitor?

DM - Na época do colegial eu escrevia muitas crônicas para um jornal estudantil. Depois escrevi algumas peças de teatro e alguns monólogos para um grupo de teatro amador da minha cidade. Mais tarde fui articulista de dois jornais - Jundiaí-Hoje e Jornal de Jundiaí e criador do slogan de outro jornal daqui de Jundiaí - "Jornal da cidade - A imprensa a serviço da comunidade."

A poesia acabou entrando mais tarde em minha vida. Ela acabou por exorcisar minhas angústias e se tornou a lírica manifestação das minhas loucuras.

Sempre virá um leitor. Nesse instante a obra não mais pertence ao criador, mas sim ao mundo interpretativo do leitor que a captura e a aprisiona na forma que mais lhe convém e de acordo com seu universo imaginativo.

O que é a poesia? O que é o poema?

DM - Segundo o mestre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, poesia é a arte de escrever em verso em composição poética de pequena extensão e poema é obra em verso em composição poética de certa extensão, com enredo.

Enquanto a poesia guarda certas regras literárias normativas,

o poema é mais livre, menos acadêmico sob o ponto de vista da formalidade.

Prefiro pensar que tanto uma forma quanto outra guarda a leitura da alma.

Você participa ativamente de movimentos filantrópicos e socias. Em que ajuda ao poeta que é?

DM - Participo ativamente. Sou um ativista político do Terceiro Setor.

A vida é tão curta. Se só ficar trabalhando e poetizando morrerei de tédio e sentir-me-ei o mais fútil dos homens. Com todos respeito aos pensamentos contrários.

Quero morrer rico de experiências humanas e sábio para saber

que não foi o suficiente.

Meus escritos mantém o equilíbrio entre a sanidade do homem e a loucura do poeta.

Muitos afirmam que o engajamento literário produz uma literatura menor. O que pensa sobre?

DM - Muito pelo contrário. A literatura engajada é o reflexo do ativista humano, do artista comprometido com a vida. Toda obra produzida por gente sempre estará engajada com a existência humana, com suas angústias, seus sofrimentos, suas esperanças, suas alegrias etc.

Quantos poetas existem em Douglas?

DM - Douglas é um poeta preso na pele de um homem.

Um homem preso na alma de um poeta.

Um cidadao livre. Homem, poeta.

Tem livro publicado? Tem poemas publicados? Aonde?

DM - Sim. "Emoções" de 1997. Poeta participante da antologia "Eros" do PD em 1999 e "Três em Um" pelo PD também em 1999.

Poemas publicados em jornal local e na campanha da CNBB com o tema "Os Desempregados" de 1999.

Qual frase ou poema que o acompanha pela vida?

DM - Manuel Bandeira ajudou a ser como sou.

Andorinha lá fora está dizendo: ___"Passei o dia à toa, à toa!" Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste! Passei a vida à toa, à toa... Qual o papel do poeta para a sociedade?

DM - Vital. O poeta, com seu poemas, pode ser o espelho que reflete a alma da sociedade. Pode até opinar de forma a torná-la mais bela.

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Um poema:

Registro (Douglas Mondo)

Enquanto espero
uma criança morreu
na esquina.
Foi atropelada pelo trem de ferro?
Não. Morreu de fome abandonada.
Estava escrito. Era sua Sina.
Escrevo eu seu obituário.
Sou apenas o escriba.

Indagado se era uma constatação ou uma metáfora, respondeu o poeta que pouco importava, pois a criança morreu na esquina e nada alterava tal fato, nem nossa responsabilidade.

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