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Euler Roudemar Buzá Faro

A mendiga

Há muito tempo, vejo-a apavarlhada,
andrajosa, esmolando pela rua,
e porque oculte sempre a sorte sua,
Chamam-lhe louca e pobre desvairada.

À noite, quando vem surgindo a lua,
desfigurada, a trôpega e cansada,
segue à procura de qualquer morada
e, envolta em trapos, dorme, quase nua.

Quem há, que a vendo, logo, então, não sente,
que algo se oculta nela, diferente,
envolvendo em mistério estranha história.

Ao viver, entre incensos, cortejada,
esqueceu-se que a vida mascarada,
nem sempre é vida de uma eterna glória.

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