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Ida Lenher de
Almeida Ramos
Luva
Da mão, vazia,
sem linhas presentes,
imaginai as vindouras!
Sem dedos vivos
e alvissareiros,
sem toques.
Sem emoção, sem
nada.
Imóvel, estagnada,
sem gestos, sem adeuses,
sem beijos do recôncavo assoprados.
Sem crime,
morta, inofensiva.
Mão de vácuo, inexpressiva,
em gesto lânguido, enfeita
a vitrine onde não param homens.
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