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GUILERME DE
ALMEIDA, nasceu em Campinas (São Paulo) em 1890. Faleceu em São Paulo em 1969. Formado em Direito pela Faculdade de São Paulo. Tendo tomado parte ativa na revolução de 32, esteve algum tempo exilado em Portugal. Seu livro de estréia "Nós", data de 1917, e a ele se seguiram:
"A dança das horas", "Messidor", "Livro de horas de Sóror Dolorosa", "Era uma vez", A flauta que eu perdi", "Encantamento", "Você", "Raça", "Poemas escolhidos",
etc. Além desses volumes originais fez excelentes traduções, sobretudo de poetas franceses, reunindo-as numa coletânea que recebeu o título de "Poeta de França". Pertencia à Academia Paulista de Letras e Academia Brasileira de Letras.
O idílio suave
Chegas. Vens tão ligeira
e és tão ansiosamente esperada, que enfim,
nem te sentido o passo e já te tenho inteira,
completamente em mim,
quando, toda Watteau, silenciosa, apareces,
é como se não viesses.
Vens... E ficas tão perto
de mim. e tão diluída em minha solidão,
que eu me sinto sozinho e acho imenso e deserto
e vazio o salão...
E, sem te ouvir nem ver, arde-me em febre a face,
como se eu te esperasse!
Partes. Mas é tão pouco
o que de ti se vai que ainda te vejo o arfar
do seio, e o teu cabelo, e o teu vestido louco,
e a carícia do olhar,
e a tua boca em flor a dizer-me doidices,
como se não partisses!
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