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CASSIANO RICARDO, nasceu em 26 de Julho de 1895. Faleceu em 14 de Janeiro de 1974. Fez o curso de Direito na Faculdade São Francisco. Foi um dos líderes da Semana de Arte Moderna de 22: grupo verde e amarelo. Pertencia à Academia Paulista de Letras. Foi jornalista. Residiu em Paris três anos (escritório comercial brasileiro junto à Embaixada). Começou como parnasianismo e diz Chamie: "se assimila a importância histórica e criativa da poesia praxis para escrever "Jeremias sem chorar".
O sangue das horas
Queixei-me de não ter pão
e a noite me disse não
Mostrei-lhe a varanda nua
e a noite me trouxe a lua...
Você tem sede, não é ?
E a noite me deu café.
São verdes como a esperança
as horas em que sou triste:
bem que existe não se alcança,
só cansa,
procuro o que não existe.
Se a dúvida me procura
pondo a cerração do tédio
em minha existência obscura,
bebo esperança, remédio
para as feridas sem cura...
Que dúbio alvor de camélia
anda lá fora a flutuar ?
É noite que, de tão velha,
tão velha,
criou cabelos de luar...
A insônia do meu relógio
durante a noite passada
crivou-me o corpo, já enfermo,
de punhaladas sonoras...
Meus olhos são duas feridas
por onde
escorre sangue das horas.
Entre o passado e o porvir
aqueles peixes prata
não me deixaram dormir.
Tomei café sem parar.
Bebi treva em goles mudos...
Criei cabelo de luar.
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