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Poema em Fome e Morte


Em minha terra não tinha terra,
deixei de chorar.
Peguei uma foice, uma enxada, um enxadão.
Armei-me de sonhos fui para o poder a terra reclamar.
Caminhei por entre cidades, ruas e estradas de ilusão.

Só queria um pedaço de chão
bem pequeno prá poder plantar.
Cortaria o mato, araria a terra
e delicadamente a semente no chão jogaria.
Ela brotaria, cresceria e viraria gostosa comida
e meu filho com fome dela se fartaria.

No meio do caminho, por entre meios
eu e meus companheiros
descobrimos um monte de terra sem plantação.
Tudo livre era só jogar a semente ao chão.

Vieram uns homens armados com trabuco, canhão.
Um tiro me acertou no peito e comecei a sangrar.
Face a face com Deus,
para meu filho agora falta eu.

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