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Orvalho
Na noite escura, toda noite,
molho os cabelos da mulher rameira
que passeia feito fantasma, desfilando sua imensa cabeleira.
Molho seu corpo quando recebe outro corpo
e a paga pelo serviço de primeira.
Sem gozo, nem prazer, apenas o cheiro da última vontade saideira.
Sou companheiro da dor,
do amor que nem mais existe,
da mulher que se oferece como cadela solta da coleira.
Sou amigo, sou fonte da vida,
sou alimento da flor que desabrochará em seguida.
Sou orvalho, sou o banho,
sou eu quem acaricia o corpo da mulher rameira.
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