|
Asta Vonzodas nasceu em Santo André/SP. Primeiro livro de poemas a ser publicado, "Fragmentos", ganhou o Concurso Verão e vai ser editado pela Poesia Diária. Seguindo um estilo livre, não observa a metrificação nas poesias e jamais trabalhou um poema.
Autor de cabeceira: Khalil Gibran.
É só Florência
Menina Inocência.
Nem tanto, já que na esquina
na casa amarela, conhecida, faz
o seu canto.
Florencia que nas tardes singelas,
nos cabelos uma rosa amarela,
através do decote do vestido de alças, vermelho,
deixa entrever os bicos dos seios...
E os olhos cobiçosos,
por debaixo da janela a passar,
gulosos ficam ali a pousar.
Abrindo a porta,
a puta se deita na cama,
se desfaz do vestido e se deixa olhar.
Abrindo as pernas longas bem feitas,
deixa entrever a manta macia de pêlos
por onde a gruta sedenta oferece para
a sede dos homens saciar...
Desfilando pela tarde
a noite adentrando, um a um
vão os fregueses deixando
na cama, ao lado,
o vintém que pela manha,
o pão irá comprar.
E abre-se a moça, de seios
fartos e perfeitos, bicos duros
para o teto apontando, oferecendo-se
a todos que queiram ali mamar.
Entre as perna o calor e o cheiro
da fêmea possuída, da puta perdida
que quem sabe como cavalgar.
E quando a noite vai a meio,
despende-se do último romeiro.
Com um sorriso nos lábios,
após seu banho de cheiro,
posta-se novamente à janela
ficando a lua a espiar...
Já não é Florencia...
Agora é Inocência, cantando
baixinho uma suave canção.
Pedindo à lua que ilumine o
caminho, pra que rápido chegue
o moço bonito. Seu príncipe encantado.
Que leve na garupa do fogoso alazão.
Florencia, Inocência...
Donzela virgem em seu coração...
|