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Calex Fagundes nasceu em 15 de março de 1950, em Porto Alegre , Rio Grande do Sul, mas mora no Rio de Janeiro desde 1957. Publicou Noturno Azul e Terroso-Alcalino pela PD Editora.

Entrei no seu quarto

Sentada na cama de calcinha e camiseta,
cabelo soltos...
A materialização da fêmea...
Linda como nunca... fêmea.
Tu falavas e eu...
embriagava-me de ti...
embebia-me de ti...
Prendia-me o olhar...
um ar de sedução...
Assim sob o abat-jur...
Beleza... fascínio... calor...

Soltei o pensamento...
- Te quero...
O desejo me integrou...
Recebi a tua mão no rosto
e a carícia me tocou por dentro.
Entreguei-me.
Deitaste sobre meu corpo...
Um beijo na minha boca...
Suave... mulher apaixonada...
Rendida à magia...
Te afaste...
Um seio para fora,
colocando sobre meus lábios.

Lábios secos e aveludados...
Percorrendo lentamente a auréola
Lábios macios...
Tocando a ponta dos meus mamilos...
Gemidos... murmúrios...
Arrepios...
Dentes sem força...
Ponta da língua...
Leve...

Corpo perfeito.
As minhas mão percorrendo
a geografia da pele.
A topografia de carne.
A ponta dos dedos...
A palma das mãos,
em lenta progressão,
por caminhos indecifráveis.
Penugens...
dos braços...
das pernas...
da coxa...

Calor,
teu corpo está quente.
Cheiro de fêmea...
fragrância...
Prazer.
Sabor.
Todos sentidos presentes 
Delícias.

Deitei-me sobre ti.
Tuas coxas me tocam os flancos.
As bocas que se encontram,
línguas que se integram.
Sexos que se tocam,
águas que se misturam.
Braços que se enlaçam.
O beijo percorre o teus dentes.
Meus dentes pressionam teus lábios.
Súbito beijo de carinho
no meio do ardor.
Como para buscar a alma 
neste mundo de presenças.

As mãos penetram nos cabelo,
sucessivos beijos nas faces,
nos olhos, nos lábios.
Confiança de ser minha.
Certeza de ser teu.
Palavras carinho e amor.

Os lábios viajam pelo rosto,
enquanto pernas e braços se enlaçam.
Se acolhem, se apertam...
E então um beijo profundo
Um doce sabor...
Encontro de águas...
Sugo teu espírito para dentro de mim...
Entrego o meu para ti...
Os dois se integram num só
na junção dos plexos solares.
Não estamos mais ao nível da pele.

Tua boca exige minha boca.
Os ventres se movem a procura de um encontro.
A pele se abre na mistura das carnes.
Músculos que se apertam.
Não existe mais
qualquer conceito de distância.

As línguas desejam lamber...
Os dentes desejam morder...
A boca deseja sugar...
O pescoço... Os ombros...
Os braços... O colo...
Mordendo e lambendo as axilas...
Abocanhando firme os teus seios.
Sugando pra dentro da boca 
Extraindo deles o leite...
A língua, dentro, beijando.
Mordo te machuco.
Você me arranha as costas...
Puxa meu cabelo...
As pernas me apertam...
Diz que me quer...
Eu paro...
Beijos e carinho...
na ponta dos seios.

No colo, na boca.
Te quero... Te amo...

Retomo o fervor.
Alcanço teu sexo.
Te beijo com meus lábios
os lábios da tua vulva.
A virilha... o ânus...
A língua... a saliva...
A ponta da língua...
A língua inteira...
Estremeces...
Imploras...

Encontro tua fonte...
e vou lá no fundo beber tua água...
muita água...
e trago pra dentro de mim...
saciando a sede de teu sabor.
Eu mordo... tudo.
A língua.
Chego no ponto certo.
A boca...
A língua...
Os dentes...
Tu gritas...

Inicia um frêmito crescente...
Puxo teu corpo
pra cima do meu.
com os dedos afasto teus lábios 
e entro em ti até o fundo.
Tu me engoles...
Me comes...
O ritmo cresce...

Um grito da alma...
No fundo... paramos.
As bocas se igualam...
Te encho de leite.
Lágrimas... soluços...
Abraço apertado...
Carinho...
- Te amo. Relaxas...
Adormeces em cima de mim.

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