Nálu Nogueira é carioca, nascida sob signo de escorpião em 1962. O amor pela poesia surgiu lá pelos 15 anos, através de Drummond e Cecília Meireles. Nessa época, também ensaiou os primeiros poemas. O casamento e os filhos a afastaram desse caminho, que ela retornou aos 34 anos, quando se separou. Vive em Brasília desde 1982 e tudo o que deseja é, escrever, escrever e escrever.
Ela e suas flores
Ela se deita em umidades e convergências.
Pernas semipousadas sobre o colchão de penas
Ela em florescências de margaridas e jasmins.
Ela aspira o pólen dos próprios desejos
Nuvens brancas de carícias suas mãos rosadas
Pernas entrefechadas estendidas sobre o colchão de penas.
Ela e suas mãos entrebrincando flores e jardins
Ela meio a legião de mins sedentos em alternâncias
Reentrâncias de pétalas há muito desiluminadas.
Ela e suas mãos incandescentes sobre o colchão de penas
Vozes abafadas nas nuvens roxas de suas ardências
Pernas parabolicamente em ausências que ela não mais lamenta.
Ela e suas mãos cansadas sobre o colchão de penas
Pernas esmaecidas em nuvens azuis de pujança
Ela alada entre as próprias flores. |