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Luiz Haroldo/Celso de Paula
Apresentação
Na mitologia grega, Eros, filho do Caos, era o deus do amor, da harmonia e da força criativa. O adjetivo erótico/erótica, derivado do nome Eros, refere-se, em sentido amplo, a tudo aquilo que é ligado ao amor. Em sentido estrito, tem significações diferente conforme o contexto. No jargão psicológico, por exemplo, Eros é o impulso criativo, por oposição a Thanatos que é o impulso destrutivo. No contexto da literatura, o adjetivo erótico é, o mais das vezes, associado ao amor físico. Poesia erótica, em linguagem corrente, é poesia cujo conteúdo expressa atos ou desejos relacionados com sexo. Essa maneira de pensar merece alguns reparos.
Em primeiro lugar, a natureza erótica de uma poesia pode não estar associado ao conteúdo, ou apenas ao conteúdo, mas também à forma. Imaginemos, por exemplo, uma poesia concretista em que o formato gráfico do texto corresponda à silhueta de uma rapariga nua, ou uma poesia cujo ritmo evoque, por onomatopéia, o movimento de penetração durante o coito. São hipóteses improváveis, mais teoricamente possíveis.
Em segundo lugar, nem toda poesia cujo conteúdo está associado a sexo merece ser chamado de erótica. Suponhamos, por exemplo ( e isso não é raro ), que o autor, desdenhado pela mulher amada, vinga-se dela descrevendo de forma perfeitamente metrificada a fantasia de estuprá-la com requintes de sadismo. Isso poderia ser excelente poesia pornográfica, mas não seria poesia erótica, por que a inspiração teria vindo de Thanatos, não de Eros.
Essas considerações mostram que o título (Ins) Piração Erótica não foi escolhido por acaso. A inspiração erótica pode ser discretamente sensual ou desabridamente chula, mas vem sempre do amor. E, ainda aqui, é preciso fazer uma última exclusão. Não se aplica o adjetivo erótica à copiosa poesia lírica que descreve os sofrimentos de amor não correspondidos, porque nesse tipo de poesia Pathos prepondera largamente sobre Eros.
Com todas essa restrições, ainda assim a poesia erótica é muito variada na longa tradição literária que remonta pelo menos a poetisa grega Sapho, por que a nuances do amor sensual são quase infinitas. De tal sorte que a dificuldade em organizar esta antologia decorreu não da escassez de obras , mas da abundância delas. As escolhas, como verão os leitores nas páginas que seguem resultam num conjunto harmonioso e representativo da melhor leitura produzida neste gênero, incluindo autores clássicos e contemporâneos, sem esquecer, entre estes, expressivos nomes da literatura jundiaiense.
Nossos aplausos aos poetas-juristas Douglas Mondo e Alexandre Barros Castro, pela excelência desta seleção, e cumprimentos à diretoria do Clube Jundiaisense pela iniciativa do patrocínio do belíssimo livro que agora chega às nossas mãos.
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