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CARLOS MARIGHELLA, nasceu em Salvador, Bahia, a 5 de dezembro de 1911, filho de imigrante italiano e de uma mulher negra que deu lhe orgulho de possuir sangue escravo. Infância Humilde, ainda adolescente desperta para as lutas sociais. Aos 18 anos inicia um curso de Engenharia na Escola Politécnica da Bahia e torna-se militante do PC. Todo o resto de sua vida será dedicado à luta dos trabalhadores, à causa da independência nacional e do socialismo. Em 1969 é apontado pelos órgãos de tortura do regime militar como inimigo n.º 1 e passa a ser objeto de uma caçada que envolveria diretamente todas as estruturas repressivas montadas pelo regime militar. Na noite da ditadura militar, em 1969, na longa noite de 4 de novembro, Carlos Marighella é surpreendido por uma emboscada na Alameda Casa Branca, em São Paulo, e tomba varado pelas balas que derrubam centenas de outros brasileiros que, em diferentes trincheiras, assumiram o mesmo combate pela liberdade.

SEIOS

Eram dois seios lindos, provocantes,
assomando-lhe do busto venusino,
como dois irmãos gêmeos abraçados,
presos no ergástulo da blusa de cetim.

E eu dardejando-lhe olhares, de relance,
com chispas e centelhas refulgindo,
ficava a imaginar como seriam:
romãs maduras, redondas, carminadas ?
pombas-rolas arrulhando no seu ninho ?
duas taças cheias que eu quisera tanto
levar aos lábios pra aplacar a sede.

E eles ali estavam em minha frente 
com os bicos apontados para mim
como duas lanças a fura-me os olhos...

Um dia pude finalmente vê-los
livres do ergástulo da blusa de cetim...

E eram como os tinha imaginado:
duas taças cheias
que sorvi extasiado, delirando
qual viajante sedento no deserto
ante uma fonte da água cristalina.

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