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CRISTÓVÃO
AYRES, nasceu em Goa, 1853 e faleceu em Lisboa, 1930.
LÉSBIA
Não há olhar mais doce
nem mais formosa boca,
nem mais suave e etérea formosura;
porém no olhar dessa criança louca
nem o reflexo duma crença pura !
É como se ele fosse
talhado em pedra dura.
Aquele seio dela, essa riqueza
que não tem outro igual em toda a terra,
aquele coração onde ela encerra
tão gelados desdéns, tanta frieza,
aquela boca, coralínea taça,
que pede beijos e recusa dá-los,
aquele altivo olhar que faz vassalos
por onde passa,
todos esse prodígios de beleza,
todo esse imenso abismo da desgraça,
quem os quiser possuir... há de comprá-los!
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