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FERNANDO PESSOA, a produção poética da literatura portuguesa tem em Fernando Pessoa e na pessoa os seus outros a imortalidade dos tempos. O universo do poeta é tão complexo e tão íntimo no sentir e no pensar que pode-se afirmar: O poeta é um fingidor/ Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente.

DÁ A SURPRESA DE SER

Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro,
faz bem só pensar em ver
seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem
( se ela estivesse deitada )
dois montinhos que amadurecem
sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco
assenta em palmo espalhado
sobre a saliência do flanco
do seu relevo tapado.

Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gnomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco ?
Ó fome, quando é que eu como ?

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