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Josette S. M. Feres

MEUS DOIS AMIGOS

"Será o Benedito, você por aqui?". Monteiro Lobato abriu a porta do apartamento do Hotel Terminus ainda vestindo paletó. Atrás dele estava Dona Purezinha, olhando para min com um sorriso de avó, toda doçura.

A menina falante, "semostradeira", ficou muda de repente. Aos poucos, a fala foi voltando e, quando a visita terminou, eu tinha a impressão de que estivera no Sítio do Picapau Amarelo e vivera uma grande aventura. Passamos algumas horas conversando, inventando histórias e, por fim, fui incubida de uma grande missão: fundar uma biblioteca infantil em Piracicaba, minha cidade naquela época.

A biblioteca não saiu. Quem iria acreditar numa menina de treze anos, que dizia ter a incumbência de Monteiro Lobato para fundar uma biblioteca? "Menina, vá brincar", foi a resposta que recebi.

Com Villa-Lobos foi um pouco diferente. Ele costumava passar o primeiro semestre do ano fazendo tournées pelo mundo e, no segundo, ia para o Rio onde era diretor e professor do Conservatório Nacional de Canto Orfeônico.

No início de agosto de 1953, ele apareceu para primeira aula, na verdade, uma reunião com todos os alunos no salão nobre da escola. Custou-me acreditar que não era um sonho estar ali no meio de um coral de 200 vozes, cantando o canto de boas-vindas com letra de Manuel Bandeira:
Amigo , seja benvindo,
a casa é sua,
Vá pedindo, vá mandando,
seja seu tudo que tenho de meu 
e, mais a divina graça.
Naquele dia, também recebi uma grande missão: ensinar música para as crianças de minha terra. Mas antes que alguém me dissesse "Menininha, vá brincar", Tomei uma resolução muito séria: ensinar brincando.

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