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Adaptação do texto:
Cláudia de Queiroz

Precisa-se Brasileiros
(parodiando Mário de Andrade)

Em 1928, Mário de Andrade publicava o livro Ensaio sobre a Música Brasileira, onde propunha que os compositores buscassem sua inspiração principalmente na realidade nacional: "Se um artista brasileiro sente a força do gênio, está claro que deve fazer música nacional. Porque como gênio saberá fatalmente encontrar elementos essenciais da nacionalidade".

Mas a história começa muito antes.

O nacionalismo musical surgiu como uma nova corrente estética no final do século XIX. Caracterizado pelo aproveitamento de ritmos e melodias populares, ganhou rapidamente o agrado do grande público europeu. No Brasil, entretanto, existia uma nítida desvalorização da contribuição cultural das camadas mais baixas da sociedade. Nomes como os de Alberto Nepomuceno e Ernesto Nazareth foram discriminados por sua música de raízes populares.

Só a partir da Semana de Arte Moderna, realizada em fevereiro de 1922, esta música começou a ser aceita. O acontecimento teve também forte impacto na produção cultural posterior. Inspirou os movimentos estéticos dos anos 60, como a Tropicália, de Caetano e Gil, e artistas do porte de Tom Jobim e Chico Buarque.

Convidado por Ronald de Carvalho e Graça Aranha, o maestro Heitor Villa-Lobos ficou mito entusiasmado com a idéia de ser o representante musical da Semana, pois coincidia com as idéias pelas quais vinha lutando há anos. Os modernistas de então tinham como princípios fundamentais o direito permanente à pesquisa estética, a atualização da inteligência artística brasileira e a estabilização de uma consciência criadora nacional. E Villa, que já vinha ganhando notoriedade como um músico controvertido e "diferente", mas cuja obra determinou a estética nacionalista brasileira até os dias de hoje, estreou com "modernista", entre vaias e urros de uma platéia atrelada aos modelos tradicionais

"Não escrevo dissonante para ser moderno. De maneira nenhuma. O que escrevo é conseqüência cósmica dos estudos que fiz, da síntese a que cheguei para espelhar uma natureza como a do Brasil. Quando procurei formar a minha cultura, verifiquei que só poderia chegar a uma conclusão de saber consciente, pesquisando, estudando obras que, à primeira vista, nada tinham de musicais. Assim, o meu primeiro livro foi o mapa do Brasil, o Brasil que eu palmilhei, cidade por cidade, estado por estado, floresta por floresta, perscrutando a alma de uma terra.

Depois, o caráter dos homens dessa terra. Depois, as maravilhas naturais dessa terra. Sou brasileiro e bem brasileiro. Na minha música eu deixo cantar os rios e os mares deste grande Brasil. Eu não ponho mordaça na exuberância tropical de nossas florestas e dos nossos céus, que eu transponho instintivamente para tudo que escrevo". (Heitor Villa-Lobos)

(A construção gramatical acima, de Mário de Andrade, não está de acordo com a norma culta - "precisa-se de brasileiros". O uso da variante popular reflete a busca que o autor fazia de uma língua supostamente mais autêntica, "brasileira")

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