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Poema do Desempregado
(cedido para a campanha da Fraternidade/99 - CNBB)
Caminhei tanto,
tanto,
ontem,
anteontem,
hoje,
no mês passado,
há um ano atrás,
procurando emprego,
quero sossego,
quero paz.
Quero comida na mesa,
não quero esmola,
sou trabalhador,
quero meu filhos
indo à escola.
Quero arar a terra,
sujar a mão de graxa,
quero dar aula,
quero limpar o chão,
quero comer,
tenho direito,
nem que seja
ao amanhecido pão.
Sou desempregado.
Não! Estou desempregado!
Sou gente,
morro de fome,
mas não morro calado.
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