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Minha Morte

Minha desgraça é a feia morte que me vem de graça,
que retumba na terra como grito da forte fera
e me fere como o dedo de Deus quando me toca o peito
e me consome, me envolve e minha alma dilacera.

É a espada que brota das trevas e me fura um olho,
me cega e me transforma num fantasma caolho,
num andarilho sem rumo de vertentes latejantes,
num pobre poeta sangrando pela face em gotas brilhantes.

Da vida somente lembranças e dos sonhos de menino
perdi a esperança de um dia sorrir,
um sorriso pequenino feito moleque, feito criança.

Beijo agora, ó morte inglória, teus seios de alva palidez
e sugo um fio de memória e me lembro daquela hora
quando te avistei chegando, me abraçando e me levando embora.

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