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CAGAÇO
Segundo o Mestre Aurélio, cagaço quer dizer medo, susto.
Todos temos inúmeros medos e temos o direito de expô-los, sem receio de que sejamos sacrificados por isso.
Muito se comentou sobre o medo que a Regina Duarte tem de que Lula leve o país à bancarrota. Muitos brasileiros sentem a mesma coisa.
Ela foi massacrada e ridicularizada sobre um medo legítimo. Um medo inalienável de não confiar num ex-metalúrgico.
Afinal, aprendemos que a memória dominante apenas reforça a confiança em doutores e políticos experientes, já que estes possuem a capacidade de guiar nossas vidas, sem qualquer questionamento de nossa parte.
Onde já se viu, sermos dirigidos por um ex-operário e ainda sem um dedo em uma das mãos e que nunca freqüentou curso universitário, que coisa mais baixa!!!!
Essas pessoas devem votar no Serra, pois é mais confiável e tem mais experiência. Respeito muito as opiniões em contrário.
Eu, pelo meu lado, vou confessar uma coisa: tenho medo é do Serra. Morro de medo!
Tremo todo, só em pensar que posso sair do escritório lá pelas oito da noite e aquele vulto careca, cabeçudo, com voz de vampiro venha em minha direção e diga: __Douglas, vota em mim!
Deus meu, cago-me todo!
Meu escritório fica ao lado do cemitério e à noite é aquele silêncio sepulcral.
Fico imaginando o Serra por entre túmulos sinistros declamando Alphonsus de Guimaraens: "Pelos cemitérios, às horas mortas, quando o vento geme por entre os ermos, ciprestais funéreos, o fogo-fátuo, fosforeando, treme."
O poeta vai morrer de medo!
O fato é que as almas penadas ficam correndo de um lado a outro, fazendo coro junto com ele e gritam aos quatro ventos: __"O Lula tem medo de debate. Ele morre de medo."
Como eleição também é cultura, vou cunhar uma imortal frase: "O medo é legítimo e está mais vivo que a morte."
Pronto, já posso me candidatar a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, pois imortalizei a morte através da legitimidade do medo.
Paulo Coelho, cuide-se! Lula já e eu lá.
Às altas horas, quando a morte brinca de escolher novos moradores para o Santo Sepulcro, as baratas são as únicas testemunhas da metamorfose fantasmagórica que ocorre depois das seis.
É como reunião política em gabinetes com as portas fechadas: gargalhadas uníssonas emolduram as verdadeiras faces dos homens que dirigem nossas vidas. São caricaturas de homens sem almas.
O inferno está lotado desses bem-intencionados que entram pobres na carreira política e em pouco tempo são proprietários de ricas fortunas. São as excelências da patifaria.
Como não sou assessor especial para assuntos nacionais nem internacionais, mas apenas vizinho de um cemitério qualquer e já aprendi que quem semeia vento colhe tempestade, continuo morrendo de medo do Vampiro Brasileiro.
Por isso sou poeta e a poesia me encanta: "Político de alma pequenina, na praia falece. Ó Santa Glória divina, a vida agradece."
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