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JUNDIAÍ É AQUI

Uma viagem, uma vila, uma cidade. Talvez uma fuga. Talvez outra realidade.

Uma cidade nascida sob a proteção da Santa do Desterro. Nascida como porto seguro para os banidos, para os solitários.

Homens e mulheres vivendo os sonhos das meninas e dos meninos. Vivem hoje o sonho do amor. Tornaram-se adultos, solidários.

Viajaram pelas lavouras da subsistência e pelos pesadelos da escravidão. Beijaram a liberdade do sonho do índio e do negro irmão.

Plantaram café e desenvolveram a região. Sentiram na carne a dificuldade do plantio, mas receberam a ajuda da imigração.

Vieram sonhos ingleses, espanhóis e italianos. As mesas se fartaram de pão e os copos se encheram da seiva da fruta da vinha.

Sonharam sonhos cristãos e acordaram com novo ideal que há muito não se tinha.

Fiaram nas linhas da cultura uma miscigenação de bondade. Fincaram ideais como raízes nessas terras férteis por natureza.

E o povo desse cidade cresceu puro de rara fineza.

A fotografia retratou nas retinas da beleza a imagem da terra gravada em película de sonho, a espelhar fantasias de poetas e escritores da mais fina realeza.

A história, berço da cidadania, entre sonhos de poesia, contou a vida da cidade, de seu povo, com sua dor e sua alegria.

No sopé da Serra, o lirismo do japi entoou o canto da vila e o peixe jundiá nadou solto por entre desejos de uma bela cidade, como se nada mais houvesse, apenas água pura, oxigênio e liberdade.

A Boca do Sertão era parte da nova terra e ela era grande, imensa, daqui até lá, da serra ao acolá, longe como “tiro de canhão.”

Rafael de Oliveira, o pai, não o filho, foi fundador da Vila na praia do Jundiaí, o rio mais bonito que ainda corre por aqui. Soluça por compaixão e um dia, quem sabe, conscientes, voltaremos a amá-lo, então.

Contou-se uma história que nem mesmo ela sabe a razão, se é verdade ou pura ilusão.

Petronilha Rodrigues Antunes junto com Rafael de Oliveira, o pai, não o filho, teriam assassinado José de Camargo Antunes, marido de Petronilha, na Rua São Bento, em São Paulo, por motivo fútil de amor e paixão.

Quem sabe se foi verdade ou fantasia, na história da Vila de Jundiaí, contada em forma de poesia. Quem sabe? Quem saberia?

A Vila virou Cidade e Jundiaí, o rio, nome abençoado, abrigou um povo iluminado que cresceu brincando pelas ruas Direita, Do Meio, Nova e Boa Vista.

Os freis beneditinos glorificaram o santo nome em cantigas de louvor à Cidade de Jundiaí, pelos pátios do Mosteiro de São Bento, onde a reza fez coro com Deus, sibilando ao som do vento.

E na cidade, alguns ainda se lembram daquela velha canção: “Vamos, Maruca, vamos. Vamos para Jundiaí, com todos você vai, só comigo não quer ir. Não vou, não vou. Não vou, não quero ir. Longe de minha gente, você vai judiar de mim.”

Dois homens escreveram sobre seu passado em livro de papel timbrado, não oficial nem romanceado, mas fotografado por Renato Bezzan e escriturado por Miguel Arcanjo Terra, titulado “Jundiaí do Canto do Japi.”

E esse poeta apresentou a história dessa querida cidade. Jundiaí é aqui.

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