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PODER E CORRUPÇÃO

O tolo não sabe que o poder corrompe. O homem quer o poder para mudar o que está errado. Logo, o homem tolo quer se corromper para mudar.

Em qualquer sociedade, se verificarmos quantos cidadãos estão aptos a governar nossas vidas, verificaremos que essas pessoas são as mais despreparadas possíveis.

Com raras exceções, o Administrador Municipal é aquele cidadão dos acordos duvidosos, das alianças espúrias, dos acertos financeiros, das decisões especulativas e dos lucros fáceis.

São os defensores do velho axioma: A Política é a arte do conchavo! Por isso governam. Exatamente por viverem a margem de um mundo honesto.

O mais triste é que fascinam o restante da sociedade que se curva aos ditames de regras injustas e traiçoeiras, numa perigosa brincadeira de sedução, num frenético jogo sádico-masoquista.

Todos conhecem as regras dos jogos políticos e todos fingem desconhecê-las.

Brincam de faz-de-conta que as aceitam e tentam ludibriá-las com riscos às vezes incalculáveis, enquanto governantes decidem com falsas seriedades os destinos de milhões e milhões de seres humanos como se interpretassem as mais loucas tragédias.

Todos interpretam e todos se odeiam na mais aparente paz. O poder seduz o ignorante, o despreparado, o homem que não caminha em direção a luz, mas que precisa do jogo político para se sentir importante. Fora do jogo não sobrevive a um mínimo pensar. É apenas mais um tolo corrupto!

O aprendizado para tornar-se um homem lúcido passa por sofrimento e solidão, já que pensar é um ato individual e necessita abstrair-se de prazeres materiais e transitórios.

Pensar necessita querer sair das trevas da ignorância com coragem e abnegação. Governar, não! Necessita apenas saber jogar o jogo político com cartas marcadas e ter às mãos recursos materiais para a compra de poder.

É possível mudar? Sim, é possível!

É possível criar novas regras para que possam ser vivenciadas por um número maior de pessoas e os jogos das decisões políticas serem jogados com possibilidades maiores de exclusões de vícios e corrupções.

Inicialmente é preciso saber que é possível mudar. Qualquer pessoa pode tornar-se um indispensável ator social, com papel preponderante e inegável determinismo político.

As amarras individuais são verdadeiras prisões guardadas pelo medo e pela ignorância, onde quebrar os ferrolhos leva o homem ao caminho da luz e da sabedoria.

Uma vez livre a própria liberdade se encarregará de uni-lo a outros homens, também livres, formando nova corrente do pensar.

Há um texto maravilhoso de Platão, onde sob a forma de Alegoria ele transmite simbolicamente um sentido profundo sobre as amarras e ignorâncias humanas.

Chama-se A Alegoria da Caverna, que é um diálogo entre Sócrates e Glauco, onde prisioneiros vivem amarrados dentro de uma caverna e somente podem olhar para frente.

Atrás deles há uma fogueira e entre ela e os prisioneiros há uma mureta onde sobre ela manipulam-se marionetes e homens transportam estatuetas de figuras humanas e de animais.

Os prisioneiros vêem somente as sombras projetadas desses objetos. Como nunca viram na vida nada além das aludidas sombras, os prisioneiros não conhecem a existência dos objetos e nem de outros homens dentro e fora da caverna.

Os prisioneiros imaginam que as sombras são os próprios objetos e a luz da fogueira é a única existente no mundo.

A caverna representa nosso mundo. Na maioria do tempo apenas enxergamos as sombras dos objetos que nos apresentam e deixamos de vivenciar um mundo maior e iluminado.

Vamos sair da caverna. Vamos descobrir que a luz do sol brilha intensamente e é possível determinar que os rumos das nossas vidas podem ser direcionados por nós, não por homens de almas escuras. O tempo é de reflexão!

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