Em 19 de janeiro de 1885 nasce, no Rio Grande do Sul, o genial jornalista Apparício
Torelly.
Irreverente, em 1930, com a revolução, proclama-se Duque de Itararé,
herói da batalha que jamais houve. Alguns dias depois, rebaixa-se a Barão
como prova de modéstia.
Com inteligência fora do comum, atacou a mediocridade e a politicagem
que sempre dominou nosso país, sendo freqüentador assíduo
das prisões políticas da época.
Escreveu inúmeros artigos e almanaques que ilustram até hoje,
com suas máximas e mínimas, a realidade política que nos
governa.
Falece em 27 de novembro de 1971, deixando um legado inestimável para
a cultura brasileira e a máxima que seria, mais de setenta anos depois,
a concretização de sua maior profecia:
__ Queres conhecer o Inácio, coloca-o num palácio.
Algumas de suas máximas e mínimas, sempre atuais:
Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, o eleitor não
terá vergonha de votar no seu candidato.
O homem que se vende recebe sempre mais do que vale.
A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados.
Os homens são sempre sinceros. O que acontece, porém, é
que às vezes trocam de sinceridade.
A moral dos políticos é como elevador: sobe e desce. Mas, em
geral, enguiça por falta de energia, ou então não funciona
definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiaram nele.
Para o político brasileiro, a vida pública é a continuação
da privada.
Ao Barão de Itararé: Ó Duque, doravante, pela genialidade
de tua alma que passeia serena pela cultura brasileira, tão ofegante!
Quanta falta nos faz!