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O Morto e a Velha

No dia de finados é quando os mortos se
encontram para conversar sobre os vivos.
Um morto recente cochicha no ouvido da Carpideira:
Não chore, não chore, venha me visitar,
fique aqui a morte inteira.

A velha espantada cutuca o ouvido pensando
que é apenas uma leve coceira.
E o morto brincalhão com sua língua faceira
molha a orelha da carpideira e sussurra:
Velha falsa. São lágrimas de crocodilo, ajeite a calça.

E a pobre mulher, que só queria chorar em paz
levanta a saia e no meio da multidão que chorava
em vão, ajeita a calcinha e sem vergonha passa
a mão por entre as pernas e leva ao nariz
cheirando os dedos com tesão.

O morto exclama e com razão: Bem que senti
cheiro de buceta no vai-e-vém do meu caixão.
Êta velha safada, enquanto chora vai se
esfregando na molecada e depois se
cutuca feito necrófila com desejo de morte viciada

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