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Ó sol

Ó sol ingrato,
dos versos roubou-me a musa.

Como posso duelar contigo?

Sou poeta, não esgrimista.
Sou palavras, não raios de luz.

Não germino sementes.
Não aqueço o frio da noite.

Mas tenho o que nunca terás.
Sou o que nunca serás.

Sou amante, com haste e gozo.
Sou falante, com língua guardando o fosso.

Sou homem, com duas faces no rosto.
Tenho lábios, a salvar a musa em agosto.

Nos outros meses, sou a própria musa
e ela a poeta, para teu desgosto.

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