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Desfile de Alta Costura
Desfilei tocando caixinha, em
07 de setembro de ano lá trás.
Filei cigarro e ouvi: paga uma coxinha?
Olhava carro e me fitava pedinte.
Eu cortava fita e fazia fita de ouvinte.
Na verdade não ouvia e pouco sentia.
Eu tentava parar de fumar e me
sentia culpado. Poderia morrer de câncer.
Ele era o câncer social: Chato, coisa e tal.
Culpado eu? Ora não seja ridículo.
Não sou político. Sou apenas eleitor.
Voto em fulano para governador, sim senhor!
O Hino Nacional repetia: Ouviram
do Ipiranga. Não ouvimos nada!
Ele gritava e berrava: Moço eu existo!
Penso, logo de cristão me visto.
__Não tenho nada com isso!
Que menino feio! Não tem viço!
Palmas para o vereador, para o prefeito,
para o governador e para o senador!
Viva o presidente! Nosso amado senhor!
Eu gosto muito do presidente, é tão simpático!
Eu votei nele. Agora vou votar em seu sucessor.
Ele vai resolver tudo. O outro é antipático.
E o metalúrgico, então?! Nem dedo tem.
Eu vi na televisão. Que coisa feia. Parece um peão.
Votar é chato. Voto por obrigação!
Ah! Quer saber: odeio eleição. Acho que vou para
Nova York e justifico. Aqui não fico!
__Olha que bonito o desfile. Palmas!!!!
__Seu guarda! Por favor, tire esse menino daqui!
Odeio pobre. Que horror! ___ Você viu que sujo!
A polícia devia prender esses meninos. Jogar na Febem.
___ Benhê, vamos embora? Quero ir até o clube.
Ah! Não fumo mais e bebo só socialmente.
Em quem vou votar? No Maluf, no Quércia e no Serra, claro!
Que pergunta indecente!
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