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Indulto
Atiça-me, seduz, aquela vida pendente
entre a escuridão e a luz.
Aquela que pede, que implora pela
aurora,
que quer germinar fora de hora.
Aquela que o sol brincou de
esconde-esconde
e a fome adotou como filha morta no
horizonte.
Nada mais forte, nada mais pungente,
Não quer seu amor falso-clemente.
Quer emergir como quem rouba um pão
do padeiro que acordou de madrugada e
foi multado pelo fisco na contramão.
Essa vida brota da terra, sem papel
nem certidão.
Às vezes não tem nome. Pode ser Tonhão
ou Negão.
Pode ser Maria, Jandira ou outra puta
de ocasião.
Pode ser abençada na missa pelo pai
nosso com preguiça.
Não importa. Só esta vida por ela pode
abrir a porta.
Pode me matar. Pode matar o prefeito.
Matar o bispo.
Ela veio da terra, é divino, é
garantido seu direito.
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